Clube Europa

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Da página: "Quem somos"

No primeiro semestre de 1986, o mundo estava em crise. A União Soviética dava mostras de estar indo a pique; o general Pinochet decretava estado de sítio no Chile; um vazamento de urânio na usina atômica de Chernobyl fazia centenas de vítimas e a Challenger, o orgulho da tecnologia espacial norte-americana, explodia no ar minutos depois do lançamento. Mas no Brasil, com o Plano Cruzado, a vida era bela e o futuro, alvissareiro. Tão promissor que quatro executivos da Editora Abril juntaram as economias e largaram seus bons e velhos empregos para montar uma nova editora. “Uma editora com todas as virtudes da Abril, e nenhum dos defeitos”, dissera um deles. 

Em todo caso, a Editora Europa só começou a funcionar no dia 11 de dezembro de 1986. Àquela altura, o mesmo presidente Sarney que, nove meses antes, congelara os preços e salários, já havia ganho as eleições de 15 de novembro e, menos de uma semana depois, autorizado aumentos de 60% na gasolina, 120% nas tarifas de telefones e energia, 100% no preço das bebidas e 80% no dos automóveis. A festa acabara. Era o começo do fim do Plano Cruzado – e o início de atividades da Editora Europa. 

Não foi fácil. Com uma inflação anual chegando a inacreditáveis 5.200%, a moeda brasileira, que era cruzeiro e tinha virado cruzado novo, depois voltou a cruzeiro real e, finalmente, para real, passando por uma tal de URV. Que loucura! Uma revista que custava 16.500 cruzeiros em agosto de 92, em setembro já custava Cr$ 25.000,00 (52% de aumento em três meses). Pior: o presidente Collor, eleito como esperança de redenção do povo brasileiro, confiscou o dinheiro que tínhamos no banco e acabou tendo o mandato caçado. 

Agora, decorridos tantos anos, estou convencido de que só sobrevivemos graças à decisão de nunca nos afastarmos dos objetivos que definimos para a Editora Europa no primeiro dia de funcionamento, no distante e conturbado 11 de dezembro de 1986. Estes objetivos são a nossa Constituição. A nossa carta de marear. A nossa Bíblia. Estão gravados em aço inoxidável (que não “enferruja”) e pregados em lugar de destaque na recepção da Empresa. Sempre que temos alguma dúvida ou nos sentimos tentados a mudar de rumo, paramos e relemos. Tem dado certo. Para dizer a verdade, certíssimo! 

Por Aydano Roriz, Sócio Fundador.